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Greve na Kemet contra tentativa de despedimento colectivo
11-Fev-2014
kemet345.jpgOs trabalhadores da fábrica Kemet, de Évora, vão estar em greve, no próximo dia 14 de Fevereiro, com deslocação a Lisboa, ao Ministério da Economia. Vão exigir que o Governo actue para evitar a deslocalização dos equipamentos e encomendas de condensadores de tântalo para o México. E o consequente despedimento, desnecessário, de 127 trabalhadores. Há cerca de um ano, os trabalhadores, unidos em torno do Sindicato, derrotaram um plano similar de despedimento de 154 trabalhadores, formalmente anulado em 14 de Janeiro de 2013.

A Kemet Electronics, de Évora, subsidiária da multinacional norte-americana com o mesmo nome, emprega cerca de 300 trabalhadores e dedica-se à fabricação de condensadores de tântalo e electrolíticos, aplicados predominantemente nos equipamentos de telecomunicações e na indústria automóvel. Esta empresa é um dos maiores empregadores do Alentejo.

A fábrica é lucrativa com a produção dos condensadores de tântalo. Inclusive, a sua sustentabilidade ficaria seriamente ameaçada apenas com a fabricação de condensadores electrolíticos. Primeiro, porque não geraria resultados que suportassem a estrutura de custos da empresa. Depois, porque como que a preparar o terreno, a administração já diz que tem trabalhadores excedentários.

A administração, por outro lado, celebrou e mantém contratos com o Estado português, de criação de emprego ou de implementação de linhas de produção de condensadores de polímero de tântalo, que lhe valeram a atribuição de mais de vinte milhões de euros em apoios e incentivos. Estes contratos são para cumprir. O SIESI não aceita que os recursos públicos sejam defraudados pela administração da Kemet.

Fragilidade do processo leva administração

a propor o auto-despedimento

O processo de despedimento colectivo agora iniciado baseia-se unicamente no argumento da administração de que “levamos o trabalho para lá, não temos trabalho cá”. O problema da administração é que este pretenso motivo para despedir não tem enquadramento na nossa legislação laboral. Além de que os critérios de selecção dos trabalhadores a despedir são discriminatórios. Foram estabelecidos segundo os obscuros interesses da administração e não tiveram por base a lei. O Sindicato considera, assim, que este é um processo inquinado, irregular, que determinará a sua impugnação judicial.

A própria administração tem noção da fragilidade do seu “processo de despedimento”. Por isso, tem recorrido aos mais censuráveis expedientes para tentar a divisão dos trabalhadores. E até tem tentado que se auto-despeçam, através do compromisso de que se vão embora pelo seu pé a troco de uma indemnização de valor mais elevado.

Confiança na luta

Os trabalhadores da Kemet derrotaram um plano idêntico da administração há pouco mais de um ano. E a actual intenção de despedimento - que nem sequer cumpre a lei, do ponto de vista processual - já viu pura e simplesmente anulada, por esse motivo, uma reunião agendada para o passado dia 7 de Fevereiro.

O SIESI considera, mais uma vez, ser possível derrotar a administração e anular o despedimento colectivo, bem como a deslocalização do tântalo. Deslocalização essa que poderia prenunciar o encerramento da fábrica.