Cel-Cat volta à greve

Os trabalhadores da CEL- CAT, empresa de cabos eléctricos, com instalações em Morelena, Sintra, vão paralisar duas horas no dia 30 de Abril. A greve prossegue o protesto dos trabalhadores (cerca de 300) pela intransigência patronal nas negociações do Acordo de Empresa e por aumentos salariais justos. Pelos mesmos motivos, havia sido feita já uma greve, em 26 de Fevereiro passado.

 
Reunião com pessoal do Grupo Alfasom
 
A Direcção do SIESI, Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, promove, no próximo dia 20 de Janeiro de 2010, a partir das 19,00 horas, uma reunião com trabalhadores do Grupo Alfasom, que decorrerá nas instalações da Delegação do Sindicato na Damaia, sitas na Av.ª D. Carlos I, nº 24-A/B. A reunião destina-se a prestar informações e esclarecimentos relativamente aos direitos legais, designadamente os que respeitam à contratação a termo e aos “recibos verdes”, às categorias e carreiras profissionais, às desigualdades nos salários, nas ajudas de custo e nas isenções de horário, ou os que se referem ao pagamento do trabalho nocturno e suplementar. Também o aumento dos salários irá ser debatido. O SIESI, em reunião realizada no passado mês de Novembro, já abordou com a direcção da Alfasom vários dos problemas que afectam os trabalhadores, tendo ficado agendada uma nova reunião para o próximo mês de Fevereiro.
 
Eleição dos representantes para a SHST na Vitrohm

O SIESI promoveu a eleição dos representantes dos trabalhadores da Vitrohm para a Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho (SHST). A lista apresentada integra três efectivos e três suplentes. Os representantes eleitos propõem-se agir com vista à melhoria do funcionamento dos serviços de Medicina do Trabalho, o que inclui a realização de exames médicos, de forma regular e periódica. Propõem-se, também, actuar no sentido da avaliação dos níveis de ruído e de outros factores de poluição ambiental, bem como na planificação e adopção de medidas que promovam a saúde nos locais de trabalho. Vão, ainda, intervir junto da direcção da empresa para que seja efectuada a avaliação dos riscos profissionais associados a cada equipamento e posto de trabalho e adoptadas as adequadas medidas de prevenção. Estas incluem a informação aos trabalhadores, de modo a ser evitada a sinistralidade e a contracção de doenças profissionais
 
 
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Aos trabalhadores da EDA - Não é ético!!
O SIESI teve conhecimento das declarações ao Jornal da Tarde da RTPAçores no dia 23 de Junho de 2010, por parte do Sr. Presidente do Conselho de Administração da EDA a propósito dos “aumentos” salariais.

Estas, a propósito de uma pergunta relacionada com as reivindicações salariais e pelo factor, introduzido pela Jornalista, da comparação com a EDP, congénere no Continente, e EEM, na Madeira, obtiveram como resposta que os 0,8% resultaram do que era reclamado pelos trabalhadores.

O Sr. Presidente é livre de fazer as declarações que entender e falar em nome da sua administração ou do seu Governo. Agora, não tem qualquer legitimidade de o fazer em relação ao SIESI e, muito menos, de transmitir um quadro que não corresponde à realidade no que às posições dos trabalhadores, na mesa negocial, diz respeito.

De facto, é bom que se tenha em conta que, ao contrário do que o Sr. Presidente diz – e gostasse – as negociações são exactamente a procura, pela via do diálogo e não da imposição e prepotência, como sucedeu, de que a tabela salarial reflicta não apenas a inflação, mas outros factores, entre os quais se destaca a produtividade. Lembre-se ainda que a inflação é uma média e que existem itens que são bastantes superiores, como é o caso do sector em que se inscreve a electricidade e que, curiosamente, foi de 3,5%. Já agora, diga-se que em 2010 está nos 3,2%. No que diz respeito à inflação e no que a EDA para ela contribui, estamos falados!

Diga-se, ainda, que uma negociação – e o Sr. Presidente devia sabê-lo – não é um mero acto de “tapar” a média da inflação. Trata-se de procurar a melhoria do poder de compra, reflectindo os ganhos de produtividade. Em nome da verdade, importa lembrar que nos anos de resultados mais parcos a empresa apelava à compreensão em nome da melhoria e recompensa nos dias bons. Hoje, com os melhores resultados de sempre, apresenta e tenta aplicar os piores aumentos de que há memória. Elucidativo!

 

Brincar com assuntos sérios

Por outro lado, não é ético, brincar com os números e com as pessoas. Diz o Sr. Presidente que no ano anterior a empresa assumiu repor em cima do valor acordado o diferencial para a inflação se aquele fosse mais elevado e refere-se à verificada em 2009 (0,8%). Curiosamente para 2010 o valor de referência é novamente 2009 (0,8%). Então, haja coerência. Vale a inflação passada ou a prevista para o ano ou será a que mais jeito faz. O SIESI, porque não aceita este tipo de estratagemas, sempre apresentou propostas assentes na inflação verificada, na situação económica de empresa e contributo dos trabalhadores.

Se o Sr. Presidente assume o que diz, então a EDA deve 0,8%, pois a inflação em 2008, a reflectir em 2009, foi de 3,1% e o aumento salarial foi de 2,3%. Mais fácil ainda: 3,1 de Inflação em 2008 e 0,8% em 2009, perfaz 3,9. Os aumentos foram de 2,3% e agora a EDA pretende 0,8, o que soma 3,1%, Para 3,9 falta algo. E nós ganhámos. Santa paciência!

 Pois é, o Sr. Presidente na ânsia de explicar o inexplicável produz afirmações que apenas colocam a empresa e seus argumentos cada vez mais no descrédito.

Já agora, poderia ter sido explicada a diferença abissal entre os aumentos dos trabalhadores e das remunerações com administradores (quase três vezes mais -2,3% versus 6,57%). E, de uma vez por todas, assumir que a dedicação, profissionalismo e esforço dos trabalhadores é para estes completamente inútil, pois os resultados vão sempre para os mesmos: gestores e accionistas!

Poderia, ainda, o que a opinião pública muito agradecia, de explicar quantos custam os trabalhadores na tarifa e para onde vai o restante. É preciso reter, também, que a EDA não pode ser uma empresa meramente financeira. Tem obrigações de serviço público, através do fornecimento de um bem imprescindível e que é direito de todos, em igualdade de condições de qualidade e preço. Isto é um direito e não meramente um negócio do qual se procuram lucros.

Já agora poderíamos falar nos desperdícios e investimentos que muita análise e discussão mereceriam. A seu tempo lá iremos.

 Vale tudo…

De uma vez por todas pare-se com o discurso da miséria. O argumento dos outros que não tiveram aumentos ou não têm emprego é mera demagogia para mostrar que “nós ainda somos muito bons”. O que está a tentar ser tirado aos trabalhadores vai ser desviado para criar emprego ou resolver outras questões importantes da economia? Não, como todos bem sabem, foram direitinhos para os accionistas, numa opção clara de favorecer os que mais têm sempre à custa daqueles que criaram o que a EDA hoje é.

 É uma velha estratégia dizer que perante quem vive com um euro por dia nós somos “milionários”. Então o que são os “senhores” deste país que auferem remunerações e prémios escandalosos? Atente-se na mensagem que é pretendida passar. Quem está mal não é quem vive na miséria ou lá próximo, importando erradicar o flagelo. São aqueles que tendo algo mais, mesmo que insuficiente para fazer face às necessidades de uma vida digna, deveriam ser colocados àquele nível. Tudo serve para se atingirem objectivos.

Outra questão fica clara. A EDA que dizia cumprir ordens do Governo, acaba, desta foram, de as assumir integralmente, também como próprias. No entanto, importa explicar como é que afinal tinha mais 0,2 e depois os tirou porque não foi dado acordo, aliás o que já sabia que não aconteceria por aquele valor, mas não resistiu.

Foi uma estratégia para chantagear. Na prática, serviu para demonstrar que havia – e há – condições para negociar uma tabela salarial justa e que estamos perante uma posição estritamente politica, o que é inqualificável.

A ética não pode ser um mero princípio para regulamentos ou códigos, terá de ser um exercício sempre presente nas práticas.

28 de Junho de 2010

A Direcção